Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teus ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.

Carlos Drummond de Andrade

Tempo

Quero parar,
Quero olhar...
Mas o tempo corre

Eu quero sentir,
Quero curtir...
Mas o tempo corre

Quero pensar,
Quero analisar ...
Mas o tempo corre

O tempo não espera por mim
Ele é frio, insensível
Não sabe do meu coração sufocado
pela correria,
pela loucura ,
pela ambição do dia-a-dia...

Ele não entende que eu preciso entender.
Ele não aceita
Que eu não consigo aceitar:
Esta frivolidade urbana,
Esse modo de viver sem ser visto,
Sem ver o outro,
Sem sentir, sem tocar...

O tempo corre...
Mas eu quero sentir cada emoção de uma vez
De que me importa se a vida tem premência?
Eu quero saber da minha urgência,
Tão insana de compreender o incompreensível.

Preciso parar, preciso olhar
Mas o tempo corre!
Eu corro junto,
mando meus olhos correrem ainda mais,
Mas o tempo me vence!

Ele é implacável, intransigente,
Não cansa,
Não tem remorso em atropelar
- a vida
- o amor
- a humanidade.

Eu luto,
A correr e parar, pensar e sentir,
Mas ele me dá uma rasteira.
Quero ser serena, mas ele não abranda.

O tempo é inexorável!
Austero e fugaz
Não ama,
Nada sabe de amor,
Não chora,
Não ri,
Não tem vida!
E por isso não sente!

Apenas passa, sem saber que me devasta...

Daniele Pivatelli - 07/02/03 18:50min 
Alterações em 07/05/11 e 10/09/11



Agora, às 18:20h, eu acabo de descobrir que cometi um erro (e naverdade, eu estava bem desconfiada): Eu republiquei o mesmo poema, ou seja, repeti o tópico!! A 1ª coisa q pensei foi: vou apagar o tópico e passar a foto do Ruivo e a citação lá p/ outro tópico. Aí saí apagando os links que havia enviado pelo face e fui apagar no Twitter também.
Mas sabem do que me dei conta? Bobagem! Poxa, A Aninha já comentou, O Leo curtiu o link, pessoas Retuitaram.... Acho que seria falta de respeito com todos simplesmente apagar o tópico... Deixa: fica aqui registrado meu erro e minha organização poética (alma de poeta é assim: vai da inspiração, do sentimento e nas das convenções, pois eu sempre soube que deveria ter tudo isso ordenado).
Vocês podem se perguntar como eu não lembrava, mas explico: é na minha cabeça eu faço acontecerem muitas e muitas coisas. São tantas coisas que ficam só na minha cabeça, que quando eu realmente posto, acho que tinha sido só nos meus planos... Tomara que quem não tenha curtido antes, o faça agora. Pronto! ;) O Blog é pra me fazer bem e não p/ me dar sensação de culpa, não é?


   Genteeeeeeeeeeeeeeee,

    Eu sumi, eu sei. Mas foi por uma ótima causa: uma viagem super "bafônica" que pretendo contar melhor depois.
  Mas a questão é: prometi para ontem o sorteio de 1 ano do blog e ele foi feito (e super tuitado)! Mas tinha de ir ao curso e quando voltei, apaguei! Não consegui vir postar... Desculpem, mas desde que voltei de viagem estou acordando e dormindo super cedo...

    Primeiro eu queria dizer que super-mega agradeço a todos os participantes. Muito obrigada aos que se inscreveram, divulgaram, torceram e me parabenizaram pelo aniversário do blog. Este cantinho é muito especial pra mim!! E um agradecimento especial ao Ateliê Dedéia pela super participação. 

    Bem, vamos ao que importa, uma imagem fala mais que mil palavras, então é melhor mostrar logo duas:




   Parabéns, Karla Viviane!!!! Obrigada pela participação! Entre em contato para concretizarmos a entrega do prêmio, está bem?

    Galerinha que lamentou o resultado: teremos outras oportunidades, aguardem!

       Ah! Curtam a aba "Etc.": ali eu coloco dicas de filmes (que já já serão atualizadas).

Beijinhos

   Dani

“Eu amava
Como amava um sonhador
Sem saber porquê
E amava ter no coração
A certeza ventilada de poesia
De que o dia, amanhece não...”

Oswaldo Montenegro
Resplandeceu

O véu se rasgou e eu notei
A venda caiu e eu vi
A música parou, então pude ouvir a verdade.
O sol se escondeu, ou foi só vaidade?
O que era obscuro, ficou claro
O que era comum, ficou raro.

Quando a festa acabou, a veracidade emergiu
Quando tudo ficou silente, meu coração ouviu.
Aí eu pude perceber “o que antes não parecia”1
Ou simplesmente eu não queria discernir:
Que não me restava nada do que antes eu tinha,
Ou nunca tive, foi tudo aleivosia.

“Nada de novo debaixo do sol”,2 apenas
“Houve um intervalo na escuridão”:3
E entendi que eu
“Amava como amava o pescador
Que se encanta mais com a rede que com o mar”.4
Mas a rede furou, o peixe escapou!

E o mar...
Ah! O mar é tão imenso
Que me perdi na imensidão;
Mergulhei na solidão para buscar o entendimento:
Que ilusão nunca foi remédio,
Que farsa e fuga não solucionam tédio;
Que consolo não se confunde com prêmio de consolação;
E dó não é o mesmo que compaixão!

Que remorso não substitui zelo,
Que não é qualquer cuidado que equivale a desvelo.
Que amizade saudável exige reciprocidade
E estou de fato farta desta aparente iniquidade!
Mas eu estou feliz por me deparar com a minha verdade!*

Arquivo de 23/06/2011. Refere-se a 01º de maio e dias seguintes
*Acrescentado 31/07
1- Meu poema “Agora eu entendo”, de 1993
2- Palavras – Titãs
3- Somos quem podemos ser – Engenheiros do Havaí
4- Lua e Flor - Oswaldo Montenegro
5- Mesmo as boazinhas cansam - Hoje eu nem ligo, meu texto aqui no blog.

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