“Escrevo por não ter nada a fazer no mundo: sobrei e não há lugar para mim na terra dos homens. Escrevo porque sou um desesperado e estou cansado, não suporto mais a rotina de me ser e se não fosse sempre a novidade que é escrever, eu me morreria simbolicamente todos os dias.”
Clarice Lispector


E se todo dia fosse dia?



E se segunda fosse dia de fazer algo pela casa?
E se na terça eu enfrentasse o monstro telefone e fizesse uma chamada?
E se na quarta eu cuidasse só de mim?
E se a quinta fosse dia de dar uma dançada?
E se toda sexta eu visse amigos diferentes e matasse as saudades?
E se sábado fosse um dia inovador?
E se domingo fosse mesmo o dia do Senhor?
Dia de rezar como nunca, de agradecer por tudo e pedir forças pra continuar?
E se todo dia fosse dia de recomeçar, de conquistar metas e objetivos,
E cada manhã fosse única e merecesse um novo sorriso para a dádiva da vida?
E se sempre fosse dia de viver intensamente como se fosse o último?
E se todos os dias fossem para amar – e
em todas as tardes eu declarasse este amor a todos?
E se cada rotação da Terra servisse pra rever, repensar, aprender e reaprender,
E as noites trouxessem, necessariamente, uma nova inspiração?
E se a semana inteira fosse só pra ser feliz?


18/04/11 1h 40min
àEra p/ ser só um projeto p/ semana, uma meta por dia. Pegando carona no meu novo modelo "transformando a grd lista de 'afazeres' em pequenas metas", pensei em separar coisas por dia da semana, e a agenda virou postagem... ;) rsrs
Continuação

“O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes, 
a vida presente."
Carlos Drummond de Andrade





(...)

Não me chamem só na hora da farra,
Não me clamem só na hora do desespero!
Não me falem só pra descarregar suas tralhas,
Não me queiram por perto só por apego!
Não me gritem só pra fazer eco,
Não me berrem só por um minuto de sossego!

Porque um só destes gestos não me define,
Eu sou todos eles juntos e alguns mais!
Eu não posso ser só uma parte,
Não posso estar dividida, não sou uma dicotomia.
Não sou um cubo de seis faces,
Ou um armário com várias partes,
Sou uma pessoa inteira!

Não se pode ter só um pedaço de mim:
Eu me dôo no todo!
Quem quer uma fatia
Tem de levar a totalidade do bolo
(e isso também inclui os defeitos).

Olhem pra mim e vejam simplesmente
Minha humanidade!!!
Lembrem apenas que sou um ser,
Uma pessoa!

Alguém com necessidades,
Sentimentos, carências, fragilidades,
Cismas, manias,
Medos, apegos,
Inseguranças, fantasias,
Sonhos, desencontros,
Devaneios, desvarios...

E não me basta saber que sou amada!
Quero sentir, quero perceber,
Quero gestos que me dêem certeza,
Quero ver, quero encontrar,
Quero ser abraçada,
Acarinhada, lisonjeada,
Ouvir que sou querida...
E depois quero tudo de novo,
Pois a semana passada já passou
E não posso guardar a segurança dela pra hoje.

Preciso de recados, bate-papo,
Torpedos, e-mails, telefonemas,
Presença!!
“O coração se enche é de presença,” me disseram!

Sou amiga pra todas aquelas horas lá do inicio,
Mas também sou só pra jogar conversa fora,
Pra rir, cantar, dançar ou chorar.
Pra gritar, corrigir, brigar.
Pra divergir e pra amar!

Não se lembrem de mim apenas
Por um desses motivos,
Lembrem de todo o conjunto!
Tentando fazer o dever de casa (me concentrar nas minhas qualidades), às 4 da madruga do dia 06 p/ 7, vieram algumas destas frases na minha cabeça. O sono ñ me deixava levantar p/ anotar, o poema ñ me deixava dormir. Mas ele nasceu!



NÃO SÓ

Não quero ser lembrada só nas horas ruins
Tampouco só nas horas boas.
Não quero ser lembrada somente como aquela que
Alegra a festa, que dança por muitas horas e
Faz qualquer um se divertir,
Nem só como a que conta muitas piadas pra fazer rir.
Não quero ser só a que reúne a galera e faz todo mundo se encontrar e se distrair.
Não quero que me lembrem só como a que sabe consolar os amigos e lhes fazer sorrir,
Aconselhar os indecisos, acolher na hora do conflito
E ajudar a seguir.

Não se lembrem de mim só porque sou como a fantasia do carnaval,
Ou porque sou como a mãe, a irmã e a filha.
Não só porque faço os amigos todos beberem água,
Irem ao médico, cuidarem da saúde, se desculparem e perdoarem.

Não me busquem só à procura de certezas,
Não me interroguem só em busca da minha profunda e conhecida franqueza.
Nem só como a que resolve problemas,
Guarda qualquer segredo, a que só que ajudar,
A que ri demais ou chora bastante.

Mas também não só como a sensível, compreensiva,
Aquela que consegue perceber, entender, falar um detalhe,
Acalmar e apaziguar.
Não olhem pra mim vendo só uma pessoa boa, que ama muito
(Mesmo sem um porquê), que se despe de preconceitos,
Que não quer saber o que você tem, qual o seu status,
Quem você namora, do que gosta, o que ouve, bebe ou fuma.
Não precisam vir a mim tão somente pra pedir oração
Ou porque se sentem no dever de agradecer
E por tantas outras coisas que não sei dizer,
Ou por qualquer outra obrigação.

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